Conheça a esteatose hepática não alcoólica, doença silenciosa e que atinge o fígado

A gordura no fígado é um problema que já afeta 30% da população brasileira. Os sintomas não são claros, por isso descobrir a causa é essencial para que se comece o tratamento adequado. O fígado aguenta muitos anos até que apresente sinais de esgotamento, mascarando a esteatose hepática não alcoólica, conhecida popularmente como gordura do fígado. 

Segundo o Ministério da Saúde, 54% dos brasileiros estão acima do peso e 18% são considerados obesos. Isso se reflete na síndrome metabólica, em que ocorrem modificações nos níveis de colesterol e há o aparecimento de doenças como diabetes, hipertensão e esteatose hepática não alcoólica. O caráter silencioso da esteatose torna o acúmulo de gordura ainda mais perigoso, pois a pessoa não percebe o problema e vive sem essa preocupação. Porém, pode sofrer a qualquer momento um ataque cardiovascular, como infarto ou AVC. 

A  esteatose surge devido ao excesso de peso e às altas taxas de glicose no sangue. A sobrecarga da glicose vai até o fígado, sendo transformada em triglicérides (tipo de gordura) nos hepatócitos. O organismo já tem energia de sobra, o que faz com que os triglicérides se tornem mais gordurosos, ocasionado a esteatose hepática. A falta de células hepáticas em bom estado causa estresse ao fígado, que inflama. Vários hepatócitos morrem e, em seu lugar, surge um tecido fibroso parecido com uma cicatriz. Esse processo pode terminar em um câncer ou na cirrose. 

O cenário da doença é preocupante em diversos países: nos Estados Unidos, a esteatose superou o alcoolismo e virou o segundo principal motivo de transplantes hepáticos, perdendo apenas para as hepatites virais. Um estudo feito pela Universidade Austral, na Argentina, evidenciou que os tumores provocados pela enfermidade aumentaram sete vezes na América Latina, entre 2005 e 2012. A boa notícia é que essa realidade pode ser mudada bem antes de o fígado se deteriorar: basta realizar um ultrassom para ter o diagnóstico e, então, é possível iniciar o tratamento, que consiste principalmente na adoção de hábitos saudáveis, como a prática de exercícios e a dieta balanceada. 

O fígado é essencial ao organismo, sendo o órgão em que ocorre o depósito de vitaminas essenciais (A, B12, D e E), a limpeza do organismo por meio da eliminação de resíduos tóxicos, o aproveitamento de medicamentos e hormônios e, também, produz a bile, substância que ajuda na digestão de alimentos gordurosos. Reduzir a gordura do fígado é fundamental para manter a saúde em dia. Por isso, capriche na dieta, crie uma rotina de atividades físicas, controle os triglicerídeos e emagreça gradualmente.

CONSULTÓRIO

Centro de Cirurgia do Aparelho Digestivo