Vídeo · jun/2026 · 13 min
O Dr. Fábio Luiz Waechter responde, no canal do CAD RS.
O conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Transcrição automática
Gerada a partir do áudio, sem revisão: pode ter erros de palavra.
[00:00] Oi, pessoal. Sejam bem-vindos ao Conexão Médica. Eu sou a Claudia Flehr e hoje a gente tem uma conversa que muita gente tem pedido, sobre cirurgia bariátrica, mas não qualquer cirurgia.
[00:14] Hoje a gente vai falar das bipartições. E para isso, eu tenho aqui o Dr. Fábio, coordenador do Centro de Cirurgia Digestiva. Seja bem-vindo, Fábio.
[00:25] Olá, Cláudia. Sempre é um prazer enorme estar aqui no Conexão Médica.
[00:29] Sim. Fábio, antes da gente entrar nas técnicas, eu quero começar por um lugar que eu acho que é super importante.
[00:36] Quando a gente fala em cirurgia bariátrica, ainda existe muito preconceito. A ideia de que é a saída mais fácil, de que a pessoa não se esforçou o suficiente.
[00:47] Como que tu recebe isso no consultório?
[00:49] Infelizmente, esse preconceito ainda existe muito. E é um dos maiores obstáculos que a gente enfrenta.
[00:55] Mas a ciência já tem resposta para isso.
[00:58] A obesidade é uma doença. Não é fraqueza, não é falta de força de vontade. É uma doença metabólica, inflamatória, que tem mecanismos biológicos complexos.
[01:08] O paciente que chega até nós já lutou muito. Geralmente tentou de tudo antes. A cirurgia não é um caminho fácil, porém é o tratamento mais eficaz que a gente tem disponível nos dias de hoje.
[01:19] Perfeito. E aí entramos no tema de hoje. As bipartições. Fábio, vamos começar do zero.
[01:28] Bom, para entender a bipartição, primeiro é importante entender como funciona a digestão normal.
[01:47] Quando a gente come, o alimento vai para o estômago, depois para o intestino delgado e vai passando por diferentes partes desse intestino até ser absorvido.
[01:56] Em uma bipartição, a gente faz duas coisas ao mesmo tempo. O estômago fica menor, então o paciente come menos.
[02:03] E o alimento chega mais cedo em uma parte mais distal do intestino.
[02:08] Essa segunda parte é onde acontece algo muito importante. Os hormônios da saciedade e do controle do diabetes são liberados com muito mais intensidade.
[02:18] Então não é só o estômago que ficou pequeno. É uma mudança hormonal real.
[02:22] Fábio, tu falaste em hormônios. Isso é uma coisa que eu ouço muito, mas eu confesso que eu não entendi direito. Tu pode aprofundar isso um pouquinho para gente?
[02:32] Claro.
[02:33] Pois que o alimento chega nessa parte mais distal do intestino, ele estimula a liberação de hormônios.
[02:39] Os principais são o GLP-1 e o PYY. Esses hormônios fazem três coisas muito importantes.
[02:47] Reduzem a fome, aumentam a sensação de saciedade e melhoram o controle do açúcar no sangue.
[02:53] É por isso que muitos pacientes diabéticos começam a melhorar o diabetes antes mesmo de perder muito peso.
[02:59] O intestino passa a funcionar como um verdadeiro órgão metabólico.
[03:04] Fábio, e tu mencionou bipartição gástrica e duodenal. São duas técnicas diferentes. Como que elas se diferenciam?
[03:12] São várias variações dentro do mesmo princípio. As duas combinam redução do estômago com aceleração do trânsito intestinal.
[03:20] A diferença está em onde exatamente o intestino é redirecionado e em qual intensidade esse efeito metabólico acontece.
[03:27] A bipartição gástrica costuma ser uma ótima opção para pacientes que buscam grande perda de peso.
[03:33] Mesmo com uma cirurgia um pouco menos complexa.
[03:36] Já a bipartição duodenal tende a ter um efeito metabólico mais intenso.
[03:41] E é especialmente indicada em casos de diabetes tipo 2, mais grave ou obesidade metabólica importante.
[03:46] Mas a escolha nunca é automática. Cada caso é avaliado individualmente.
[03:52] E como essa escolha é feita? O paciente chega pedindo uma técnica, é uma técnica específica ou o médico que define?
[04:01] Como é que é isso? Fala para gente.
[04:03] A maioria dos pacientes chega sem saber ainda qual a técnica é a certa para eles.
[04:08] E tudo bem, faz parte, o paciente é leigo.
[04:11] A indicação depende de vários fatores.
[04:13] Histórico clínico, doenças associadas, exames, hábitos alimentares, cirurgias anteriores.
[04:19] Por isso a avaliação multidisciplinar é tão importante.
[04:22] O paciente precisa passar por um médico, nutricionista, psicólogo. Não existe uma receita única.
[04:29] Fábio, deixa eu te fazer uma pergunta.
[04:31] Eu sei que muita gente em casa quer saber.
[04:36] Qual é a diferença entre bipartição, bypass, sleeve? Qual é o melhor?
[04:42] Essa é a pergunta mais comum. E a resposta honesta é que não existe a melhor cirurgia.
[04:48] Existe a cirurgia mais indicada para aquele paciente.
[04:51] O sleeve, que é só a redução do estômago, é uma excelente opção para determinados perfis.
[04:56] O bypass clássico já tem décadas de evidência e funciona muito bem.
[05:00] As bipartições adicionam uma camada a mais de efeito metabólico.
[05:05] Comparar as técnicas como se fosse uma superior a outra é como comparar remédios diferentes.
[05:11] O que importa é a indicação certa, não o nome da técnica.
[05:15] Fábio, e para quem essa cirurgia é indicada? Existe um perfil específico de paciente?
[05:22] O perfil principal são pacientes com obesidade associada a doenças metabólicas.
[05:27] Diabetes tipo 2, hipertrigliceridemia, hipertensão.
[05:31] Apneia do sono, colesterol alterado.
[05:33] E aqui tem um ponto importante.
[05:36] O IMC não é o único critério.
[05:38] Hoje a gente entende que a cirurgia bariátrica não trata só o peso.
[05:42] Ela trata a doença metabólica.
[05:45] Tem pacientes com IMC mais baixo, mas com diabetes muito grave, que se beneficiariam muito da cirurgia.
[05:51] A avaliação precisa ser global, não só olhar para o número na balança.
[05:55] E tem paciente que não pode fazer? Quais são as contraindicações?
[06:00] Existem sim situações.
[06:00] Existem situações que a cirurgia não é indicada ou precisa ser adiada.
[06:04] Algumas condições cardíacas graves, doenças psiquiátricas não controladas,
[06:09] determinadas condições de coagulação, por exemplo.
[06:12] Por isso a avaliação pré-operatória é tão rigorosa.
[06:15] A ideia não é excluir o paciente.
[06:17] É garantir que ele chegue na cirurgia nas melhores condições possíveis e com a maior segurança possível.
[06:22] Fábio, vamos falar de resultados.
[06:26] O que o paciente pode esperar depois de uma bipartição?
[06:30] E não só em termos de peso, o que muda de verdade na vida dele?
[06:35] Qual o benefício?
[06:36] Essa é a parte mais bonita do meu trabalho.
[06:38] A transformação não acontece só na balança.
[06:41] A grande maioria dos pacientes nota melhora significativa na pressão arterial, no diabetes, na qualidade do sono, enfim.
[06:49] Quem tinha apneia severa vê uma diferença enorme no seu sono.
[06:53] As articulações agradecem, o cansaço diminui, a energia volta e tem algo que é difícil de medir, mas que é muito real.
[07:00] É a autoestima.
[07:02] O paciente começa a se reconhecer de novo.
[07:04] E sobre o diabetes?
[07:06] E especificamente?
[07:08] Tu mencionou que pode melhorar antes da perda de peso.
[07:12] Isso acontece com frequência?
[07:14] Acontece com muita frequência.
[07:16] Especialmente nas bipartições.
[07:18] Isso foi uma das grandes descobertas da cirurgia bariátrica moderna.
[07:22] Perceber que o efeito no diabetes não depende só do emagrecimento.
[07:26] É um efeito hormonal direto.
[07:28] Temos pacientes que, em termos de saúde, não têm um efeito hormonal direto.
[07:30] E poucas semanas depois da cirurgia, já conseguem reduzir ou até suspender a insulina.
[07:36] Com acompanhamento médico, claro.
[07:38] Isso mudou completamente a forma como a gente vê a cirurgia.
[07:42] Fábio, não tem como não falar sobre riscos.
[07:46] Eu sei que é uma pergunta que gera ansiedade, mas é importante.
[07:50] Quais são os riscos de uma cirurgia dessas?
[07:53] É uma pergunta importante e eu prefiro muito que o paciente faça essa pergunta
[07:58] e fique com medo sem informação.
[08:00] Todo procedimento cirúrgico tem riscos.
[08:04] Isso é uma verdade.
[08:06] Mas a cirurgia bariátrica, quando bem indicada e realizada por uma equipe experiente,
[08:10] é considerada hoje uma cirurgia extremamente segura.
[08:14] Os riscos mais comuns no pós-operatório e imediato são os mesmos de qualquer cirurgia abdominal.
[08:20] Infecção, sangramento, trombose.
[08:22] Mas com riscos extremamente baixos.
[08:24] Com o preparo adequado,
[08:26] os riscos são minimizados significativamente.
[08:29] O que eu sempre digo para o paciente é
[08:31] o risco de não tratar a obesidade é muito maior do que o risco da cirurgia.
[08:36] É verdade.
[08:37] E o preparo pré-operatório?
[08:39] Como que funciona isso no CAD?
[08:42] O preparo começa muito antes da cirurgia.
[08:45] O paciente passa por avaliação completa.
[08:47] Cardiológica, endócrina, nutricional, psicológica.
[08:51] Tem casos em que a gente pede que o paciente perca um pouco de peso antes.
[08:55] Isso reduz o tamanho do fígado e facilita muito a cirurgia.
[08:59] O preparo é tão importante quanto a cirurgia em si.
[09:02] A gente não apressa esse processo.
[09:04] Fábio, mas depois da cirurgia, como é que é a vida?
[09:08] O que muda na rotina desses pacientes?
[09:12] A cirurgia muda o estômago.
[09:14] Mas a transformação de verdade acontece na rotina.
[09:17] O paciente precisa reaprender a se alimentar.
[09:21] As quantidades mudam.
[09:22] A velocidade de comer muda.
[09:24] Os alimentos que o corpo tolera mudam.
[09:26] Especialmente nos primeiros meses.
[09:28] E isso não é fácil.
[09:30] Tem um processo de adaptação real.
[09:32] Por isso, o acompanhamento nutricional é indispensável no pós-operatório.
[09:36] E vamos falar do lado emocional.
[09:39] Porque eu imagino que comer tem um significado que vai além da fome.
[09:44] Como que fica isso?
[09:46] Exatamente.
[09:47] E esse é um ponto que a gente não pode ignorar.
[09:49] Muita gente tem uma relação emocional muito intensa com a comida.
[09:53] A ansiedade, a tristeza, a celebração, tudo passa pela comida.
[09:58] Depois da cirurgia, essa válvula muda.
[10:01] E se o paciente não tiver suporte psicológico, pode surgir um deslocamento de vício.
[10:06] Às vezes para o álcool, às vezes para compras, às vezes para o cigarro, coisas assim.
[10:11] Por isso, o acompanhamento psicológico antes e depois é parte do tratamento.
[10:16] Não é opcional.
[10:17] Fábio, antes da gente fechar, eu quero falar sobre tecnologia.
[10:22] A cirurgia bariátrica hoje é muito diferente de 10 anos atrás?
[10:27] Muito diferente.
[10:28] A grande mudança foi a laparoscopia, que tornou tudo minimamente invasivo, com recuperação muito mais rápida.
[10:35] Hoje a gente também tem a cirurgia robótica, que dá uma precisão ainda maior em casos mais complexos.
[10:42] Temos fluorescência intraoperatória, que ajuda a identificar estruturas durante a cirurgia com mais segurança.
[10:48] E as técnicas evoluíram muito.
[10:50] O que a gente faz hoje?
[10:51] O que a gente faz hoje é cirurgia de alta complexidade, com um nível de segurança e precisão que não existia antes.
[10:58] E como que tu enxerga o futuro da área?
[11:01] O futuro é personalização.
[11:03] A gente já avançou muito em entender que não existe uma cirurgia para todo mundo.
[11:08] O próximo passo é ter ferramentas ainda mais precisas para escolher a melhor abordagem para cada paciente,
[11:16] com base em dados, genética, microbioma.
[11:19] E o foco vai continuar sendo saúde metabólica e qualidade de vida, não só emagrecimento.
[11:25] Fábio, foi uma conversa incrível.
[11:28] Antes da gente terminar, deixa eu te fazer a última pergunta.
[11:32] E essa é para quem está em casa pensando nisso.
[11:36] O que você diria para a pessoa que está considerando a cirurgia, mas ainda tem medo de dar o primeiro passo?
[11:43] O medo é normal. Faz parte. Eu também teria esse medo.
[11:46] Mas não deixe o medo te paralisar.
[11:48] A primeira consulta não é compromisso com cirurgia.
[11:52] É compromisso com a sua saúde.
[11:54] A gente vai avaliar, conversar, entender o teu caso.
[11:58] Pode ser que a cirurgia seja a indicação certa.
[12:02] Pode ser que a gente encontre outro caminho.
[12:04] Mas a informação é o primeiro passo.
[12:07] Procura uma equipe de confiança.
[12:09] Tire suas dúvidas. Entenda as suas opções.
[12:12] Perfeito, Fábio.
[12:14] E onde que as pessoas podem te encontrar?
[12:16] Como que elas entram em contato?
[12:18] Tem contato com o CAD?
[12:20] É fácil nos encontrar.
[12:21] Nós temos um site, estamos nas redes sociais, estamos no Instagram como cad.rs.
[12:26] Enfim, ali temos os nossos telefones e também tem o WhatsApp.
[12:30] Então, espero vocês no CAD.rs.
[12:33] Pessoal, eu espero que essa conversa tenha ajudado.
[12:37] Se ficou com dúvida, manda nos comentários.
[12:40] A gente lê tudo.
[12:41] Compartilha com quem precisa ver isso.
12:44E a gente se vê no próximo Conexão Médica.
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Consulta com o Dr. Fábio
Uma consulta permite relacionar as informações do vídeo aos seus sintomas, exames e histórico de saúde.
Dr. Fábio Luiz Waechter · Médico · CRM-RS 18516 · RQE 11091 · RQE 9634