Orientações cirurgia estômago, esôfago e duodeno

Uma vez confirmada a indicação cirúrgica, exames para avaliação pré-operatória são solicitados a fim de confirmação das condições cardiológicas e anestésicas.

Exames pré-operatórios

Os exames pré-operatórios serão individualizados de acordo com o biotipo do paciente e a presença de doenças associadas. Entretanto, alguns exames são realizados de rotina, entre eles: 

  • Hemograma
  • Coagulograma
  • Glicemia de jejum
  • Uréia 
  • Creatinina
  • Eletrólitos(Sódio, potássio, cálcio, …)
  • TGO, TGP, Fosfatase alcalina, GamaGT
  • Exame Comum de Urina
  • Ultra-som completo do abdome
  • Rx de Tórax e Rx Esôfago, estômago e duodeno
  • Phmetria do esôfago de 24 horas e manometria do esôfago
  • Endoscopia Digestiva Alta
  • Eletrocardiograma

Exames como eletrocardiograma de esforço, ecocardiografia, espirometria, entre outros, serão realizados apenas em casos que houverem necessidade.

Recomendações pré-operatórias 

Uma vez indicada a cirurgia e o paciente decidido em proceder a mesma, algumas recomendações serão realizadas a fim de otimizar a internação e o preparo físico e psicológico pré-operatório.

As medicações em uso serão ajustadas conforme o resultado dos exames pré-operatórios, recomendando-se evitar o uso de Aspirina, ou similares que contenham o mesmo, nos dias que precedem a cirurgia. Aqueles pacientes que necessitarem o uso de eventual medicação neste período será solicitado contato prévio.

Aos tabagistas é solicitado que deixem, ou diminuam ao máximo, o uso de tabaco a fim de diminuir as chances de complicações pulmonares no pós-operatório, assim como permitir uma melhor oxigenação dos tecidos e conseqüentemente melhor cicatrização.

Os agentes causadores de irritação gástrica, tais como álcool, café, e o próprio tabaco, devem ser evitados a fim de evitar gastrites ou úlceras no pré-operatório. 

Caminhadas diárias ou hidroginástica no pré-operatório são de grande ajuda como preparo fisioterápico pré-operatório, melhorando e facilitando a respiração e circulação no período pós-operatório.

A obsessão pela higiene das diversas dobras de pele e umbigo é recomendada, pois freqüentemente estas são sítios de dermatites por fungos. Para tanto, a higiene desta áreas com sabonete neutro e manutenção das mesmas sempre bem secas já é o suficiente.

Como funciona no dia da cirurgia?

Internação hospitalar

A internação ocorre segundo o horário de cirurgia previamente marcado. Quando a cirurgia tiver sido agendada pela manhã, ou no início da tarde, o paciente interna na manhã da própria cirurgia, ou, eventualmente, na noite anterior ao dia da cirurgia(nos casos mais complexos). No caso da cirurgia ter sido agendada no final da tarde ou à noite, a internação ocorre no início da tarde, salvo os casos que necessitarem internação prévia.

Pede-se aos pacientes que compareçam à recepção do Hospital no mínimo duas horas antes do horário indicado para a cirurgia, em posse de todos seus exames pré-operatórios e do termo de consentimento informado devidamente assinado. Os documentos necessários para o custeio da internação serão autorizados previamente junto aos convênios a fim de evitar transtornos no transcorrer da internação.

Preparo pré-operatório

Independentemente da técnica realizada, o paciente deverá realizar pelo menos 8 horas de jejum absoluto(inclusive para água), realizando sua higiene pessoal através de um prolongado banho utilizando sabonete neutro. Após o preenchimento dos trâmites burocráticos, o paciente, acompanhado de seus familiares, será encaminhado à recepção do bloco cirúrgico, quando será recepcionado pela enfermeira responsável.

Esta solicitará que troque suas roupas por camisolas e propés próprios do hospital, e remova(para os pacientes portadores) próteses dentárias removíveis, anéis, brincos, piercings, óculos, e lentes de contato. Neste momento, é importante que o paciente guarde seus pertences em estojos próprios, confiando-os a familiares, ou os entregando a gerência do hospital.

Uma vez dentro do bloco cirúrgico, o paciente irá aguardar a visita do anestesista na sala de preparo anestésico, quando pressão sangüínea, pulso, temperatura, peso, e altura serão medidos pela enfermeira, assim como a mesma instalará uma via venosa para infusão de soro e medicações(antibióticos,…). Também será administrado, medicação para diminuição da ansiedade, permitindo que o paciente vá à sala de cirurgia com o mínimo de ansiedade possível.

Uma vez lá chegando, a equipe cirúrgica e anestésica tratará de manter a tranqüilidade do paciente, permitindo que o mesmo durma e perceba o mínimo possível sobre o ambiente cirúrgico. Uma vez induzida a anestesia, e o material posicionado, a cirurgia deverá durar entre 30 minutos e 2 horas, dependendo do tipo de cirurgia a ser realizada. 

Família e amigos

Nestes momentos que precedem a cirurgia, é importante que os familiares e amigos presentes estejam tranqüilos a fim de propiciar ao paciente sentimento de segurança e serenidade. Estes poderão aguardar pelo término da cirurgia e informações da Equipe cirúrgica na sala de espera, na cafeteria do Hospital, ou no próprio quarto do paciente(se já tiver sido disponibilizado).

Entre a entrada do bloco cirúrgico e as informações de término por parte do cirurgião, em geral transcorrem cerca de 2 horas. Uma vez a cirurgia terminada, a equipe cirúrgica imediatamente irá entrará em contato com a família, relatando o transcurso da cirurgia e como será o transcorrer da recuperação nas horas seguintes.

Após o término da cirurgia

Uma vez terminada a cirurgia, o paciente será encaminhado para a sala de recuperação. Neste momento, o paciente possuirá aparelhos que realizam medidas da pressão sangüínea, temperatura, pulso, saturação de oxigênio, entre outros. Da mesma forma, possuirá a via venosa instalada no pré-operatório a fim de manter boa hidratação através da infusão de soro.

Como rotina, não são mantidas sondas introduzidas no paciente. O paciente permanece na sala de recuperação por cerca de 3 – 4 horas, posteriormente sendo levado ao quarto.

Ao acordar na sala de cirurgia o paciente estará respirando naturalmente, quando então as enfermeiras irão posicioná-lo na maneira mais confortável possível a fim de diminuir as dores e desconfortos do pós-operatório. Haverá reavaliações horárias nos níveis de dor, tentando propiciar ausência total de dor ao paciente.

Como é o pós-operatório?

Sua estada no hospital

O tempo de internação hospitalar irá variar de acordo com o tipo de cirurgia realizada. Os pacientes submetidos a cirurgia de cardioplastia por videolaparoscopia normalmente obtém alta hospitalar após as primeiras 24 – 48 horas, assim que o paciente tenha condições para tal.

Entretanto aqueles submetidos a cirurgias de cardioplastias associadas a redução de grandes hérnias diafragmáticas, ou ainda colocação de telas diafragmáticas, através de cirurgias não videolaparoscópicas permanecem no hospital por período mínimo de 48 horas, obtendo alta hospitalar conforme a evolução de cada um.

Uma vez no quarto, o paciente será estimulado a sair da cama e sentar na poltrona, iniciando os exercícios de fisioterapia respiratória e motora. O corpo de enfermagem continuará realizando as medidas de pressão arterial, pulso, e temperatura, assim como estará atenta para qualquer queixa de dor que venha a ocorrer.

Os curativos na incisão serão realizados diariamente nos primeiros 2 dias, não necessitando mais de curativos após as primeiras 48 horas de evolução pós-operatória. Exercícios respiratórios serão estimulados desde o primeiro dia de pós-operatório, assim como a introdução de dieta líquida em volumes restritos. 

Como exercícios respiratórios e motores ajudam a prevenir complicações, os fisioterapeutas juntamente com a enfermagem estimularão os pacientes a realizarem respirações profundas, movimentos das pernas, entradas e saídas da cama, assim como passeios pelo quarto e corredor do hospital.

A movimentação precoce dos pacientes além de prevenir complicações, aumenta o ânimo dos pacientes, estimula a recuperação, permitindo um pequeno período de internação hospitalar. Embora desconfortos possam ocorrer no início da recuperação, tais como náuseas, vômitos, dores, perda do apetite, sensação de estufamento abdominal por gases, desânimo, …., a equipe médica e de enfermagem estará presente para minimizar estes sintomas.

No momento da alta hospitalar

O momento da alta do hospital será determinado pela equipe médica segundo a evolução de cada paciente. Antes da alta, a equipe médica e de nutricionistas conversará prolongadamente com cada paciente a fim de lhe instruir quanto ao tipo de dieta a ser seguida, medicações a serem utilizadas, precauções a tomar, assim como fornecer ao paciente telefones de como achar a equipe médica a qualquer momento.

Os cuidados com a ferida operatória são mínimos, consistindo na higiene diária 1 vez por dia, deixando correr sobre a incisão água com sabonete por alguns minutos, secando-a após. Além de medicações específicas a cada paciente conforme as complicações mórbidas pré-operatórias presentes, os pacientes recebem como prescrição analgésicos em comprimidos, estimulantes da motilidade esofágica e gástrica, assim como inibidores da acidez gástrica. 

A partir do momento da alta hospitalar, o paciente receberá orientação para iniciar caminhadas diárias de pelo menos 20 minutos, aumentando o tempo de exercícios conforme a tolerância de cada um. Da mesma forma, lhe será orientado não realizar esforço físico através de levantamento de peso, evitando dirigir carros nos primeiros 07 dias de cirurgia.

Após a sua saída do hospital

Ao chegar em casa, o planejamento das atividades diárias é importante a fim de prevenir deslocamentos e desconfortos desnecessários, pois, em função do estresse, que o paciente foi submetido pela cirurgia e internação hospitalar, ele poderá sentir-se fraco e facilmente cansado após qualquer atividade. As caminhadas devem ser realizadas em local que seja plano, seco, sem obstáculos que possam causar acidentes, permitindo que o paciente sinta-se bem sem ficar muito cansado.

As caminhadas devem ser aumentadas em distância e tempo a fim de que após seis semanas o paciente possa tolerar períodos de 30-45 minutos/dia. O subir e descer escadas pode ser realizado desde a alta hospitalar, sempre com o paciente utilizando a mesma com prudência, e apoiando-se no corrimão para segurança. 

Os pacientes devem evitar ao máximo situações que lhe propiciem náuseas, em especial, a arcada do vômito. Tal situação força toda a cirurgia realizada, podendo comprometer seus resultados. Este é um dos motivos pela restrição dietética em líquidos apenas nos primeiros  21 dias.

Os pontos, quando intra-dérmicos, não precisam ser retirados, enquanto pontos externos, quando utilizados, são retirados em uma das consultas médicas de rotina realizadas a cada 2 semanas nos primeiro mês. 

No período de recuperação pós-operatório recomenda-se ao paciente manter em sua caixa de cuidados médicos alguns pacotes de gaze, micropore, termômetro, analgésicos do tipo Aspirina, Tylenol, Novalgina.

Como é o seguimento nutricional pós-operatório?

A dieta é líquida durante os primeiros 21 dias, com ingesta a cada 2 horas de algum alimento, evitando-se alimentos quentes(no máximo morno), café, chimarrão, refrigerantes, bebidas alcoólicas, e suco de frutas cítricas.

Após os primeiros 21 dias, a alimentação torna-se livre com a ressalva e prudência de cortar os alimentos em pequenos pedaços, mastigando bem os mesmos.

Além das medicações próprias do paciente, este receberá prescrito:

Pantoprazol 40mg 1 comprimido via oral pela manhã nos primeiros 3 meses.

Domepridona 10mg 1 comprimido via oral antes do café, almoço e janta nos primeiros 3 meses. 

Novalgina gotas 60 gotas via oral até 6/6horas, caso tenha dor e desconfortos.

Toragesic 1 comprimido via oral até 6/6horas, caso tenha dores fortes.