Lesão do canal da bile
A lesão da via biliar é um dano ou estreitamento nos canais que transportam a bile do fígado ao intestino. Pode ocorrer como complicação de uma cirurgia da vesícula e ser identificada durante o procedimento ou depois, por sintomas e exames. Icterícia após a cirurgia precisa de avaliação médica.
Em um relance
Frequência
0,2 a 1%
Das retiradas de vesícula, em geral, segundo dados dos Estados Unidos.
O Dr. Fábio explica no vídeoVista na cirurgia
20 a 30%
As demais lesões, em geral, só aparecem nos meses seguintes.
O Dr. Fábio explica no vídeoArtéria junto
Cerca de 1 em 3
Muitas vezes, um ramo da artéria do fígado também foi lesado.
O Dr. Fábio explica no vídeoAcompanhamento
A cada 3 a 4 meses
Exames de sangue, em geral, e ressonância uma vez por ano.
O Dr. Fábio explica no vídeoA indicação depende do seu caso específico.
Antes de decidir
Como é investigada
A avaliação considera quando os sintomas começaram, os exames feitos durante e após a cirurgia, exames de sangue e imagens das vias biliares. O planejamento depende do local e da extensão da lesão e de possíveis alterações associadas.
“Nos exames de controle no pós-operatório, o paciente vai manter o que a gente chama de colestase, então exames sempre alterados do fígado, entre eles a fosfatase alcalina e a gama GT. […] Sempre temos que desconfiar de uma eventual lesão ou estenose cicatricial.”
Perguntas frequentes
Podem ter várias causas, incluindo obstrução ou lesão da via biliar. É necessário investigar, especialmente se houver febre, dor, urina escura ou piora do estado geral.
“A pessoa não sente dor, dificilmente sente dor. A manifestação principal dela vai ser o olho amarelo, a urina bem escura, […] ou cocô bem claro.”
Não. Algumas são reconhecidas durante o procedimento; outras são diagnosticadas posteriormente.
“A maioria das lesões de via biliar principal decorrentes de uma cirurgia de vesícula […], na grande maioria das vezes, ela é detectada apenas nos meses seguintes a essa cirurgia. […] Existe cerca de 20, 30% das vezes que vão ser detectadas essas lesões no transoperatório ou logo imediatamente no pós-operatório.”
O tratamento varia conforme o tipo e a extensão da lesão. Pode envolver acompanhamento, procedimentos endoscópicos ou uma reconstrução cirúrgica. A equipe define a estratégia após analisar os exames e o histórico operatório.
“A endoscopia, assim como a radiologia intervencionista, elas servem para tanto minimizar as complicações iniciais pós-operatórias, quer seja por drenagem ou por dilatação ou por colocação de prótese, como também, em situações bem pontuais […], tratar definitivamente esse canal biliar que tem um pequeno ponto de estenose.”
Icterícia associada a febre, dor intensa, vômitos ou piora importante exige avaliação sem demora. Em situação de urgência, procure pronto-atendimento.
A indicação depende do seu caso específico.
Depois da cirurgia
Antes da correção
Drenar a bile, tratar a infecção e estudar o canal e a artéria.
“Boa parte das vezes, cerca de 1/3 das vezes, esses pacientes não têm apenas uma lesão da via biliar: acabou lesando também uma artéria importante lá dentro, normalmente um ramo hepático que vai para o lado direito do fígado.”
No hospital
A alta é definida pela equipe conforme a evolução de cada paciente.
Nos anos seguintes
Exames de sangue periódicos e ressonância uma vez por ano, para ver se o canal segue aberto.
“Todo pós-operatório de uma correção de uma estenose cicatricial ou de uma lesão de via biliar sempre tem que ser acompanhada a cada 3, 4 meses com exames laboratoriais […] e pelo menos uma vez a cada ano através de um exame de imagem, e o grande exame de imagem para isso é a ressonância magnética.”
Depois
Vida normal, apesar do susto.
“É uma vida normal. A vida que segue: uma vez corrigido e havendo sucesso na correção, o paciente segue a vida normal, apesar do susto.”
“Os principais exames que a gente vai fazer são em especial a ecografia, a ressonância magnética dos canais biliares, que vão nos permitir diferenciar se isso é uma lesão benigna, ou seja, cicatricial de uma cirurgia prévia, ou eventualmente nós já temos um câncer ali.”
“Quando o cirurgião não percebe durante a cirurgia a lesão e fica vazando bile para dentro do abdômen, primeira coisa que acontece é o acúmulo de bile dentro do abdômen, que a gente chama isso de peritonite biliar.”
“Muitas vezes a vesícula inflamada está aderida em cima do canal biliar […] pelo processo inflamatório. No momento que tu tiras aquela vesícula de cima ali, pode gerar um processo inflamatório; onde eu tenho processo inflamatório, pode gerar a retração cicatricial. E isso não depende do cirurgião.”
“Se não sabe corrigir ou não tem a condição técnica, não tenta, apenas drena. E aí encaminha-se para um centro principal, que lá um cirurgião afeito à cirurgia de fígado, pâncreas e biliar vai então corrigir essa situação.”
“Primeiro nós vamos ter que baixar o que a gente chama de placa hilar. Então as estruturas que entram no fígado, elas têm que ser trazidas para fora do fígado. […] Abrir amplamente o canal da bile em direção ao interior do fígado e aí sim derivar isso através de um pedaço de intestino que é isolado e colocado naquele lugar para reconstruir isso.”
Temas ligados
Nem todo caso é cirúrgico. A indicação depende do seu caso específico.
No Instagram
Consulta com o Dr. Fábio
Se você teve alteração nos exames, icterícia ou outro sintoma após uma cirurgia da vesícula, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer a causa e as opções de tratamento.
Dr. Fábio Luiz Waechter · Médico · CRM-RS 18516 · RQE 11091 · RQE 9634